02.02.2020 (Salmos 22)

Hoje temos uma data palíndromo, que é a penúltima do século 21. Pra celebrar a data escolhi o Salmo 22, pra postar aqui. Este é um dos salmos messiânicos, cujo conteúdo é simplesmente extraordinário!

“Esse é um tipo de joia entre os Salmos, e é particularmente excelente e notável. Ele contém aqueles sofrimentos profundos, sublimes e pesados de Cristo, ao agonizar no meio dos terrores e dores da ira e morte divinas que superam todo pensamento e compreensão humanos. ” (Martin Luther)

SALMOS 22 (Salmo de Davi para o cantor-mor, sobre Aijelete-Hás-Saar)

22 Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que te alongas das palavras do meu bramido e não me auxilias? 2 Deus meu, eu clamo de dia, e tu não me ouves; de noite, e não tenho sossego.

3 Porém tu és Santo, o que habitas entre os louvores de Israel. 4 Em ti confiaram nossos pais; confiaram, e tu os livraste. 5 A ti clamaram e escaparam; em ti confiaram e não foram confundidos.

6 Mas eu sou verme, e não homem, opróbrio dos homens e desprezado do povo. 7 Todos os que me veem zombam de mim, estendem os lábios e meneiam a cabeça, dizendo: 8 Confiou no Senhor, que o livre; livre-o, pois nele tem prazer.

9 Mas tu és o que me tiraste do ventre; o que me preservaste estando ainda aos seios de minha mãe. 10 Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe. 11 Não te alongues de mim, pois a angústia está perto, e não há quem ajude.

12 Muitos touros me cercaram; fortes touros de Basã me rodearam. 13 Abriram contra mim suas bocas, como um leão que despedaça e que ruge. 14 Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera e derreteu-se dentro de mim. 15 A minha força se secou como um caco, e a língua se me pega ao paladar; e me puseste no pó da morte. 16 Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me cercou; traspassaram-me as mãos e os pés. 17 Poderia contar todos os meus ossos; eles veem e me contemplam. 18 Repartem entre si as minhas vestes e lançam sortes sobre a minha túnica.

19 Mas tu, Senhor, não te alongues de mim; força minha, apressa-te em socorrer-me. 20 Livra a minha alma da espada e a minha predileta, da força do cão. 21 Salva-me da boca do leão; sim, ouve-me desde as pontas dos unicórnios.

22 Então, declararei o teu nome aos meus irmãos; louvar-te-ei no meio da congregação. 23 Vós que temeis ao Senhor, louvai-o; todos vós, descendência de Jacó, glorificai-o; e temei-o todos vós, descendência de Israel. 24 Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu. 25 O meu louvor virá de ti na grande congregação; pagarei os meus votos perante os que o temem. 26 Os mansos comerão e se fartarão; louvarão ao Senhor os que o buscam; o vosso coração viverá eternamente.

27 Todos os limites da terra se lembrarão e se converterão ao Senhor; e todas as gerações das nações adorarão perante a tua face. 28 Porque o reino é do Senhor, e ele domina entre as nações. 29 Todos os grandes da terra comerão e adorarão, e todos os que descem ao pó se prostrarão perante ele; como também os que não podem reter a sua vida.

30 Uma semente o servirá; falará do Senhor de geração em geração. 31 Chegarão e anunciarão a sua justiça ao povo que nascer, porquanto ele o fez.

Sofrimento e Glória (2)

Richard Wurmbrand não tinha uma bíblia durante o tempo que esteve preso. O seu filho Michael, em seu livro “Cristo ou a bandeira veremelha” nos relata as palavras de seu pai assim que deixou a prisão:   Na prisão eu não tinha uma bíblia. Eu a esqueci. Esqueci toda minha teologia. Mas estas coisas eu sei com certeza…Primeiro, existe um Deus Vivo e Ele é nosso Pai amoroso. Segundo, Jesus Cristo é o salvador e noivo de nossas almas. Terceiro, o Espírito Santo trabalha em nós pra nos tornar mais e mais parecidos com Cristo. Quarto, a vida eterna existe, sem dúvida nenhuma. E último, o amor é o melhor dos caminhos. Isso é o que aprendi na prisão.”

Dos 14 anos em que esteve preso, Richard passou três anos em confinamento solitário.

Durante este tempo ele cultivou o hábito de compor sermões e prega-los todas as noites pra uma audiência invisível. A maioria das noites ele passava acordado e dormia durante o dia, já que estava sozinho. Ele também tentou memorizar os sermões e conseguiu reter cerca de 350 deles. Isso ele nos conta em seu livro “Sermons in solitary confinement”:

“Eu tinha uma pequena esperança de um dia ser libertado. Por isso tentei memorizar os sermões. A fim de fazer isto usei  a estratégia   de por as ideias principais em rimas curtas. (…) então compus minhas rimas. Memorizei-as e guardei na memória pela repetição continua. Quando minha mente ficou perturbada devido a influencia de pesado doping, eu os esqueci. Mas depois que o efeito das drogas passaram, eles voltaram claramente”.

E isso não foi em vão. Nosso irmão foi libertado e pode anos depois colocar no papel suas experiências da prisão.  No mesmo livro ele menciona,  “estar numa cela solitária debaixo dos comunistas ou nazistas é alcançar o cume do sofrimento”.


Que este breve testemunho, nos encoraje a orar, interceder e clamar por aqueles que estão presos por sua fé em Cristo.

O Escritor da carta aos hebreus nos exorta:

“Lembrai-vos dos encarcerados, como se aprisionados com eles; dos que estão sendo maltratados, como se vocês mesmos estivessem sendo maltratados.”  (Hb.13:3)

Sofrimento e Glória (1)

“Existe uma ligação necessária entre sofrimento e glória”.       (Elisabeth  Elliot)

Há poucos dias ouvi uma canção evangélica brasileira que dizia “você não nasceu pra sofrer”.  Pensei comigo, que engano!  Infelizmente temos hoje um número imenso de canções ditas cristãs que contém muito engano e fantasia em suas letras. É certo que ninguém anela uma vida de sofrimento, todavia não podemos fugir dele. O sofrimento faz parte da vida de cada um de nós, quer queiramos ou não!

Tenho aprendido muito sobre o tema lendo o livro de Elisabeth Elliot “A path through suffering”. Ela que ainda bem jovem teve seu esposo assassinado pela tribo auca, no Equador.  Quando junto com outros amigos missionários tentava estabelecer contato com os indios.

Elliot compartilha em seu livro que após a morte de seu esposo recebeu muitas cartas, muitas delas com citações de versos bíblicos. Mas a escritura que mais falou ao seu coração naquela ocasião foi 2 Coríntios 4 versos 17 e 18, que diz:

Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente,  não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.”  (2 Co. 4:17,18 ARC)

O apóstolo Paulo compara o sofrimento com algo leve e passageiro, que resulta em algo glorioso e permanente, ou melhor, eterno!

O último ano não foi um ano fácil pra mim e meu esposo, bem como pra nossas famílias. Enfrentamos perdas em ambos os lados. Acompanhamos o sofrimento de uma sobrinha que num só dia perdeu o marido e os dois filhos pequenos. Sofremos ao ver o sofrimento dela e dos demais familiares. Já do meu lado sofremos com a perda de minha mãe depois de um período de luta com enfermidade.

Com esses acontecimentos comecei a refletir sobre algo que faz parte de nossas vidas. Sim, queiramos ou não o sofrimento faz parte de nossas vidas.

A cruz significa sofrimento. Não há como entenderemos o significado do sofrimento se não  chegarmos até a cruz de Cristo.

É de Elliot, quatro aspectos de como lidar com qualquer forma de sofrimento:

  1. Reconheça o sofrimento;
  2. Aceite-o;
  3. Ofereça a Deus como um sacrifício;
  4. Ofereça a si mesmo junto com o sofrimento.