O livro de Ester e as lições de Purim pra os nossos dias

Começou hoje, em Israel, a comemoração do Purim. E para celebrar, compartilho aqui com vocês, um excelente texto que traduzi de algum tempo atrás. O autor é o irmão Piotr, da Polônia.

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Os Rabinos ao interpretarem o Livro de Ester compreendem o significado oculto do nome Ester como uma sugestão de estar Deus trabalhando em segredo. Além disso, Ester em si mesma é um segredo. Apenas Mordecai sabe quem ela realmente é. Haman não sabe, nem mesmo o rei Xerxes. No Livro de Ester 2:20 lemos; “Ester, porém, não declarava a sua parentela e o seu povo” seu contexto familiar, nacionalidade e religião.

Nada do que finalmente acontece é revelado até o último momento. O Livro de Ester é, portanto, um livro de coisas escondidas, incluindo não só a ocultação do próprio Deus, como também o ocultar da origem de Ester. 

Às vezes as obras Deus podem estar escondidas naquilo que as pessoas chamam de coincidência. Mas Deus está presente até mesmo no meio da maior turbulência, Ele existe e está ativo, embora pareça que Ele não esteja lá. Se sua face não pode ser vista, isso não significa que suas mãos não estejam trabalhando.

O feriado do Purim é o último feriado religioso do calendário judaico e simboliza, até mesmo de uma maneira profética, o que está por vir no fim dos tempos. Para nós, os crentes das nações, uma interpretação messiânica do texto bíblico, e especialmente as festas descritas na palavra de Deus são extremamente profundas e importantes.

A partir dessas interpretações Ester é comparada com a Igreja, como a Noiva se preparando para seu encontro com o rei, que é Jesus, o Messias de Israel. Ester só veio a entender sua vocação real quando a nação de Israel estava em tal perigo. Talvez antes ela tenha vivido uma vida segura e luxuosa, nem mesmo revelando sua nacionalidade e religião. Mas chegou o dia e a hora, quando seu tio, Mardoqueu, a chamou e avisou: “Porque, se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento doutra parte virá para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?”

Hoje, talvez mais do que qualquer outro momento da história, a Igreja carrega a responsabilidade pela nação de Israel. Ester estava bem ciente do fato de que seu destino era dependente do destino desta nação, da qual ela tinha sua origem. A Igreja, querendo ou não, também tem uma relação profunda com a nação judaica e não podemos simplesmente separar nosso destino do destino desta nação.

Nós muitas vezes citamos as palavras maravilhosas escritas em 1 Pt. 2: 9

“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;”

Nos momentos em que esta nação é ameaçada nós não podemos simplesmente descansar em nossa posição real e pensar que seu destino não nos diz respeito, ou que o mal contra o qual eles lutam não nos alcançará, não chegará até nós. Nós temos que entender que o mesmo mal que quer destruir Israel também nos ameaça e vai querer nos destruir.

Já há mais de cinco meses Israel novamente está lutando sob uma forte onda de ataques terroristas. Alguns observadores têm chamado esses eventos de “ Intifada das facas”. Ao mesmo tempo em que Israel luta contra a ameaça mortal e luta por sua vida e bem-estar, o mundo assiste e permanece em silêncio, às vezes até mesmo culpando Israel pela situação existente. Enquanto o terrorismo é condenado e combatido em outros países, Israel, que experimenta o mesmo terror islâmico mais do que ninguém, vê as nações do mundo amarrar suas mãos, como o secretário Geral das Nações Unidas ao dizer que (o que está acontecendo) é uma reação natural à ocupação israelense.

Será que nós, como representantes de várias igrejas, permaneceremos em silêncio e passivamente concordando com o que está acontecendo com a amada nação de Deus? No passado, a nação judaica pagou um preço alto demais devido ao silêncio do mundo e da Igreja. O que vai acontecer desta vez? Será que vamos extrair as conclusões corretas do passado não tão distante? As respostas devem vir do coração de cada um de nós.

Estamos vivendo em tempos críticos, quando, por causa da nossa vocação real, devemos nos posicionar do lado de Israel. O recurso e declaração de Mordecai se aplica de forma muito clara para nós hoje; Quem sabe se não foi para um momento como este que chegaste a esta posição real?” (Est. 4: 14b)

Nosso chamado real neste momento específico nos obriga a olhar novamente para rainha Ester, que depois um período de anonimato e silêncio, estava pronta a sacrificar sua própria vida pra salvar esta nação.

Ester cumpriu o papel de mediador e porta-voz da nação que estava condenada à destruição.

Se olharmos novamente a Ester, vemos que a sua intervenção foi precedida de jejum e oração.

O grande amor que o rei, sem dúvida, tinha por ela não a liberou de sua missão de levar a cabo a salvação de sua nação. Sem dúvida nós como a Igreja, nos alegramos por causa do grande amor do nosso noivo, o Rei e Salvador Jesus, mas será que isso nos libera de nossa vocação de interceder em oração e jejum pelo o Seu povo escolhido? Ester, através de sua total determinação e ação prática influenciou toda a história de sua nação.

Infelizmente, nascemos em países onde o espírito de Haman (anti-semitismo) continua ainda vivo. Temos ingenuamente esperado que o mundo venha a lutar contra a contínua renovação de anti-semitismo e ódio contra Israel. Temos de admitir, com tristeza e decepção, que não temos aprendido nada da história. Quando pensamos sobre o Holocausto podemos perguntar a nós mesmos; Onde estavam os Mordecais e Esters naquele momento? Infelizmente, eles estavam faltando e em vez de Purim o Holocausto ocorreu.

A chamada real de Ester era não permanecer em silêncio e de forma prática ficar do lado de sua nação. Nosso chamado real também é de não permanecer em silêncio;                    

“Ó Jerusalém! Sobre os teus muros pus guardas, que todo o dia e toda a noite se não calarão; ó vós que fazeis menção do Senhor, não haja silêncio em vós, nem estejais em silêncio, até que confirme e até que ponha a Jerusalém por louvor na terra.” (Isaías 62:6,7 ARC)

Permanecer em silêncio é mais confortável, mas por quanto tempo?

Tomar medidas sempre nos custa alguma coisa, mas precisamos nos lembrar de que vale a pena ser obediente aos comandos de Deus com a mesma determinação que a rainha Esther tinha; “Eu irei ao rei, ainda que é contra a lei. E se eu perecer, pereci. (Est. 4: 16b)

Shalom from Oświęcim (Auschwitz)

Piotr Borek

Sofrimento e Glória (2)

Richard Wurmbrand não tinha uma bíblia durante o tempo que esteve preso. O seu filho Michael, em seu livro “Cristo ou a bandeira veremelha” nos relata as palavras de seu pai assim que deixou a prisão:   Na prisão eu não tinha uma bíblia. Eu a esqueci. Esqueci toda minha teologia. Mas estas coisas eu sei com certeza…Primeiro, existe um Deus Vivo e Ele é nosso Pai amoroso. Segundo, Jesus Cristo é o salvador e noivo de nossas almas. Terceiro, o Espírito Santo trabalha em nós pra nos tornar mais e mais parecidos com Cristo. Quarto, a vida eterna existe, sem dúvida nenhuma. E último, o amor é o melhor dos caminhos. Isso é o que aprendi na prisão.”

Dos 14 anos em que esteve preso, Richard passou três anos em confinamento solitário.

Durante este tempo ele cultivou o hábito de compor sermões e prega-los todas as noites pra uma audiência invisível. A maioria das noites ele passava acordado e dormia durante o dia, já que estava sozinho. Ele também tentou memorizar os sermões e conseguiu reter cerca de 350 deles. Isso ele nos conta em seu livro “Sermons in solitary confinement”:

“Eu tinha uma pequena esperança de um dia ser libertado. Por isso tentei memorizar os sermões. A fim de fazer isto usei  a estratégia   de por as ideias principais em rimas curtas. (…) então compus minhas rimas. Memorizei-as e guardei na memória pela repetição continua. Quando minha mente ficou perturbada devido a influencia de pesado doping, eu os esqueci. Mas depois que o efeito das drogas passaram, eles voltaram claramente”.

E isso não foi em vão. Nosso irmão foi libertado e pode anos depois colocar no papel suas experiências da prisão.  No mesmo livro ele menciona,  “estar numa cela solitária debaixo dos comunistas ou nazistas é alcançar o cume do sofrimento”.


Que este breve testemunho, nos encoraje a orar, interceder e clamar por aqueles que estão presos por sua fé em Cristo.

O Escritor da carta aos hebreus nos exorta:

“Lembrai-vos dos encarcerados, como se aprisionados com eles; dos que estão sendo maltratados, como se vocês mesmos estivessem sendo maltratados.”  (Hb.13:3)