Muitos anos atrás eu (Martin) me lembro  de ter me deparado com uma tradução infame do livro  de Hitler, “Mein Kampf” ( Minha Luta), num canto da biblioteca da Universidade onde eu trabalhava. Curioso, eu passei as próximas horas fazendo uma leitura dinâmica do livro. Eu achei que era uma mistura mal-escrita e tediosa de pensamentos amargos sobre sua própria juventude, os problemas das sociedades em geral, e um argumento para moldar uma sociedade baseada em suas convicções nazistas, especialmente considerando  raça. Hitler dividiu a humanidade em categorias quanto à aparência física, aqueles com características de “arianos” (isto é germânica) estando numa parte superior e suprema. Povos racialmente  “inferiores” incluía eslavos (especialmente poloneses, tchecos e russos)  e judeus. Em relação à ideologia nazista, ele escreveu: “de maneira nenhuma acredito em uma igualdade de raças, mas junto com sua diferença reconheço o seu valor mais elevado ou menor e sento-me obrigado a promover a vitória do melhor e mais forte, e exigir a subordinação do inferior e mais fraco, de acordo com a vontade eterna que domina este universo. “(Citado na Wikipedia;)

É significativo que Hitler citou uma “vontade espiritual dominante” por trás do sistema que estava desenvolvendo. Não foi um “eterno” (e certamente não um santo) espírito, mas isso foi  poderoso o suficiente para ser logo liberado, através da ação de uma personalidade carismática, em uma sociedade financeira e espiritualmente deprimida,  cuja alma tinha se enfraquecido por uma século de comprometimento espiritual. No prazo de doze anos, esta antiga e oculta “vontade” tinha engolido e “dominado” a vontade das nações.

Para todas as páginas de material em Mein Kampf que li  naquele dia que passei na biblioteca, saí  realmente com uma terrível  e duradoura impressão – ele odiava os judeus. E ele expressou esse ódio na retórica que dava a impressão de que ele realmente acreditava que o seu ponto de vista era o mais natural e racional do mundo. Ele, obviamente, sentiu ser sua alta missão a de iluminar aqueles que ainda não haviam chegado a conclusão, de que a raça judaica era uma chaga sobre a terra, que, com o tempo e os meios, deveria ser finalmente eliminado.

O livro ganhou popularidade com a ascensão do estado nacional-socialista em 1939 e estima-se ter vendido 5,2 milhões de cópias em onze línguas. Até o final da guerra, cerca de 10 milhões de cópias foram vendidas ou distribuídas na Alemanha, onde cópias, tem se dito, foram dadas livremente para casais recém-casados e soldados lutando na frente Nazista (Ibid.). Embora estivesse disponível em outros países, Mein Kampf foi colocado sob um copyright pelo governo do estado da Baviera e não teve permissão de ser publicado na Alemanha, até que o copyright expirou no ano passado, 70 anos após a morte do seu autor.

(Traduzi o relato do autor judeu Martin Sa**is)